Nova cirurgia
A prótese desgastada é retirada e trocada por outra. Quando o risco cirúrgico é aceitável, costuma ser a estratégia de escolha. Também é a única opção para quem tem prótese mecânica.
Quem já trocou uma válvula do coração por uma prótese biológica pode, com os anos, ouvir que ela está se desgastando. A notícia costuma vir acompanhada do medo de uma nova cirurgia. Em muitos casos, porém, uma nova válvula pode ser implantada por cateter dentro da antiga, o chamado valve-in-valve.
Existem dois tipos de prótese de válvula. A mecânica, feita de material sintético, dura muitos anos, mas exige anticoagulante para sempre. A biológica, feita de tecido animal tratado, dispensa o anticoagulante a longo prazo, mas se desgasta com o tempo.
Nesse desgaste, os folhetos da prótese biológica podem endurecer com cálcio e deixar de abrir direito, ou rasgar e deixar de fechar. O resultado é o mesmo de uma válvula doente: o coração passa a trabalhar mais, e os sintomas voltam.
Muitas vezes, o desgaste é percebido no ecocardiograma de rotina, antes dos sintomas. Quando eles aparecem, os mais comuns são:
Por isso, quem tem prótese biológica precisa de ecocardiogramas periódicos, mesmo se sentindo bem.
O ecocardiograma mostra se a prótese está estreitada ou vazando e compara os valores atuais com os de exames anteriores. Por isso, vale guardar os laudos dos ecocardiogramas feitos depois da cirurgia.
Para planejar o valve-in-valve, a angiotomografia mede a prótese e as estruturas ao redor. O ecocardiograma transesofágico ajuda a detalhar o tipo de desgaste e a afastar outras causas, como um coágulo ou uma infecção na prótese.
Também é importante saber qual prótese foi implantada: o modelo e o tamanho constam no relatório da cirurgia ou no cartão entregue na alta.
Quando o desgaste é importante e causa sintomas, a prótese precisa ser substituída, por uma nova cirurgia ou por cateter.
A prótese desgastada é retirada e trocada por outra. Quando o risco cirúrgico é aceitável, costuma ser a estratégia de escolha. Também é a única opção para quem tem prótese mecânica.
Uma nova válvula é levada por cateter e aberta dentro da prótese biológica antiga, que passa a servir de suporte. Não é preciso abrir o tórax de novo. É uma alternativa para quem tem sintomas e risco alto em uma nova cirurgia ou não pode ser operado.
A escolha é feita em conjunto pelo Heart Team e considera o risco de uma nova cirurgia, o tipo e o tamanho da prótese, a anatomia e a preferência do paciente.
Não. O valve-in-valve só é possível dentro de próteses biológicas. Quando uma prótese mecânica apresenta problema, o tratamento é cirúrgico ou, em situações específicas, com remédios.
Como ela é aberta dentro da prótese antiga, o espaço disponível é um pouco menor. Em próteses pequenas, isso pode deixar a nova válvula mais apertada. Por isso, o planejamento com a angiotomografia e o modelo da prótese anterior é tão importante.
Depende do grau do desgaste e de como o coração está respondendo. Em muitos casos, o acompanhamento com ecocardiogramas mais frequentes é suficiente até que surjam sintomas ou sinais de sobrecarga do coração.
Não impede a avaliação. O modelo e o tamanho costumam constar no relatório da cirurgia, que pode ser pedido ao hospital onde ela foi feita. Os exames de imagem também ajudam a identificar a prótese.
Os procedimentos são realizados pelo convênio do paciente, nos hospitais onde atuo. A consulta de avaliação é particular, com documentação para solicitar reembolso ao plano.
Se você tem uma prótese biológica com sinais de desgaste, uma avaliação esclarece a gravidade e se o valve-in-valve é uma opção no seu caso. Se puder, leve o relatório da cirurgia e os ecocardiogramas anteriores.
Tarasoutchi F, et al. Diretriz Brasileira de Valvopatias – 2026. Arq Bras Cardiol. 2026;123(10):e20260796.